segunda-feira, 11 de março de 2013

Solidão n.4


Nós nascemos sozinhas.
E por nós mesmas sem saber
Damos o primeiro grito
E o primeiro sorriso.

E ao longo da vida somos ensinadas muitas coisas,
Mas o aprendizado mesmo, acontece de forma solitária
Aprendemos aquilo que estamos dispostas e abertas para aprender.

Sozinhas, percebemos que tudo no mundo acontece por experiência própria.
Só floresce quem se  olha e se sabe, imperfeita.
Quem reconhece a solidão dos oceanos e do universo.
Quem fica bem com o próprio silêncio.
Confortável na própria pele.

Nós somos o milagre da vida,
E se tudo der certo,
quando morrermos vamos escutar a Solidão n4 do Vitor Araújo tocando nos nossos ouvidos.

http://www.vitoraraujo.com.br/#!/download

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Aprendendo a não fazer sala

Pegue suas monossílabas e não dê mais nem um passo pra frente,
nem pro lado,
nem pro meu lado.

Como é que pode? Eu mesmo sem me entregar, me entrego. Ô coisa.
Me pergunto se eu devia aprender a cuidar melhor de mim.

Nessas horas acredito que sim
mas depois,
depois acredito que não

O melhor é aprender a não fazer sala pra dor.
E deixar o coração solto pro samba


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Há de se confiar no tempo


Há de se confiar no tempo
E no seu poder transformador

Ele que no instante presente é tão urgente mas tão urgente, meu Deus.
Nos surpreende quando, num ônibus a caminho de casa, te aparece para reportar o que foi que  ele já fez:

Já pegou uma paixão impossível, e abrandou
uma dor no peito que se pensava incurável, e curou
Uma preocupação que te deixava sem dormir que simplesmente passou
Pegou todos seus sonhos da adolescência e realizou

É como se eu tivesse voltado do meu próprio futuro para me dizer:
Menina, há de se confiar no tempo.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

É para isso que servem as pessoas amadas


Um bilhete de e-mail que acabei de encontrar fuçando minhas mensagens:

Saudades de vc,
 
Bons dias e noites
 
Boas tardes,
boa chuva,
bons lírios,
bons arco-íris e boa praia.
 
não esqueça de tomar suas vitaminas,
(vê se não emagrece, hein menina)
cuide bem da sua bicicleta e da sua voz,
e não deixe nunca de visitar a sua vó.
Dance quanto forró puder
e ande de barco
e voe sobre o mar
e quando for, abra os braços diante de um vendaval,
perceba todos os pássaros e
encontre uma flor amarela.
 
 
(se vc puder evitar a crítica literária, eu agradeço)
 
Beijos,
Tchau.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Os encantamentos de uma nova língua


[25/04/12 22:20:38]
eu sto pensando em voce hoje
manda beijos para sua mae de mim
manda beijos para sua mae por mim
mã
mãe
ê
é
são paulo
joão
amorzão
melonçia
coração
meu coração
meu coração é longa
meu coração é grande
beleza
sim
maravilhosa
ela é blanca
ser
eu sont
eu so
eu sou
ela é
são paulo
saint paulo
eu tenho que practicar muito mas
eu tenho que falar muito mas
morango
suco de mornago hoje.


.Me derreto com essas coisas.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Vida nova no Vale


Taubaté.

Taubaté tem duas rodoviárias, uma velha e uma nova. No entanto, a rodoviária nova já deve ter mais de 20 anos. Por isso digo que Taubaté tem duas rodoviárias: uma velha e outra muito velha.

A rodoviária muito velha fica no centro da cidade. Atrás dela tem uma estação de trem antiiiiiga e muito bonita, que só passam trens de muitos vagões carregando coisas importante para o desenvolvimento do Brasil.

Ao lado da rodoviária tem uma praça com bancos, paralelepípedos e árvores bem altas, e nessa praça mora a biblioteca municipal da cidade.  Veja bem, não é uma biblioteca qualquer, é a biblioteca da capital da literatura infantil brasileira.

As pessoas que perambulam por essa praça tem fama de decadentes, mas como diria Caio F Abreu “não tenho nada contra decadentes, não tenho nada contra qualquer coisa que soe a uma tentativa." Sendo assim, quis  passar pela praça para conhecer a biblioteca, quiçá estudar por lá.

Comprei um sorvete de um sorveteiro que tinha acabado de trazer rosas para a mãe, e ela estava com um sorriso largo no rosto. Hoje é dia internacional das mulheres.

Comecei a caminhar como se não esperasse nada do mundo mas atenciosa para seus detalhes.  Vi um flamboyant com uma placa que o identificava como Tabebuia Alba ( Ipê amarelo).  Parei em frente a placa segurando meu sorvete e dizendo “mas isso não pode ser Tabebuia” olhei para os lados para ver se alguém concordava, mas quem passava tinha pressa ou não se importava. 

Vi dois meninos dançando hip hop, alguns drogados, alguns mal encarados e um casal se beijando, o pinto do moço estava feliz- impossível não reparar. Assim que terminei meu sorvete cheguei na biblioteca, e chegando lá tive dó do Monteiro Lobato. Ele sem dúvida ficaria desapontado. Não fiquei na biblioteca para estudar e acho que as moças da recepção também não queriam que eu ficasse.

Sei que esse texto está com um tom meio triste, parece até que não gosto daqui e que a cidade está em decadência. Mas é o contrário, gosto muito de Taubaté e a cidade está “mais rica do que nunca” . Depois dessa tarde meu único desejo é que eu encontre por aqui pessoas que apreciem as sutilezas e verdadeiras belezas da cidade tanto quanto eu.

Na volta peguei o ônibus errado e tive que descer no meio do caminho de casa. Estava com preguiça de andar no sol.  Do lado do ponto encontrei um pé de amora (quem me conhece sabe que é uma das minhas preferidas). Celebrei as amoras e a sombra fresca e escrevi esse texto olhando pra Mantiqueira.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Essa noite


Nossa, agora veio mesmo
Uma saudade imensa

E novamente me vejo
Fritando cogumelos
E chorando

Vou ser sincera
Às vezes esqueço

A vida tem que continuar

Mas tem umas horas
Que não tem jeito

Escuto o refrão de uma música
Sinto um cheiro
Ah! O que eu não faria para sentir seu cheiro
Ou o cheiro do seu apartamento...

Vejo as fotos que você tirou
A maioria são minhas mesmo
E me sinto tão sortuda por saber
O que você viu em mim

Obrigada por todas essas fotos tão bonitas
Elas são um presente para vida toda

E quando chega assim de noite
E eu lembro de muitas outras noites
Viajando, cozinhando, rindo, se amando...
Fica difícil imaginar
Que preciso ir tão longe para que isso aconteça de novo...

E a vida fica assim
Dividida
Entre um mundo que come pão com abacate
E o outro com manteiga