Olhou-se no espelho. Observou bem. Fazia tempo que não se percebia assim. Viu que na pele algumas marcas da idade não se desfaziam mais com os movimentos.
A idade estava ficando ali, estampada.
Por um momento se sentiu menos bonita. Pensou nas novas técnicas: uma injeção de algum líquido milagroso que poderia ser financiado em 10X no cartão de crédito seria capaz de resolver o problema.
Mas pensando bem isso não era muito de seu feitio. Ela, que até então teria dado tanto valor às coisas orgânicas. Aos frutos orgânicos, aos relacionamentos orgânicos, às culturas orgânicas.
Nessa inércia de movimentar os músculos do rosto na frente do espelho, se deu conta de que suas rugas marcavam o movimento de seu sorriso.Não eram rugas que marcavam seus momentos de raiva, nem de preocupação...
Suas rugas estampavam a alegria que tinha tido.
E sorriu ainda mais, e se entendeu bonita.
sábado, 5 de junho de 2010
A ingenuidade e o egoísmo
nós deturpamos o ingênuo e o egoísta quando damos a eles conotações negativas.
existem milhares de situações nas quais a melhor coisa a se fazer é ser ingênuo e outras tantas em que o melhor é ser egoísta.
ingenuidade e egoísmo podem ser vacinas contra a realidade.
Contra essa realidade única que querem que a gente engula,
mesmo quando é mais que sabido que podemos reinventar nossa realidade a qualquer instante.
existem milhares de situações nas quais a melhor coisa a se fazer é ser ingênuo e outras tantas em que o melhor é ser egoísta.
ingenuidade e egoísmo podem ser vacinas contra a realidade.
Contra essa realidade única que querem que a gente engula,
mesmo quando é mais que sabido que podemos reinventar nossa realidade a qualquer instante.
ao infinito
Eu sei que acontecem muitos desvios nas comunicações,
Mas o que quero falar é claro, transparente e dá até pra beber.
Quero lhes dizer das coisas mais simples, sim aquele tipo de coisa simples que transcende.
E o que transcende é o motivo de estarmos aqui.
E é também o motivo de termos nos encontrado
A gente se achou numa época de muita expectativa.
Expectativas maravilhosas sobre a vida e sobre como ela deveria ser vivida, intensamente.
Quando nos reencontramos é como se eu reencontrasse também todas aquelas expectativas dentro de mim.
A gente muda eu sei, e estamos distantes também, é por isso que eu me esforço para que a comunicação seja clara, direta, cristalina, pura.
Eu amo vocês pelo que vocês são, não somente pelo que vocês me proporcionam.
Esses dias tive que fazer um exercício: eu tinha que me imaginar em um lugar onde pudesse pensar sobre a vida (me imaginei em algum lugar dos Andes), eu tinha que estar lá nesse lugar lendo um livro, grande e grosso.
Esse livro era o livro da minha vida.
Eu me emocionei com a imensa gratidão que sinto por tudo que já me aconteceu até aqui.
Dessa gratidão vocês têm parte.
Hoje estou paranoiando nas minhas ideias sobre o mundo, e aprendendo como ser uma aprendiz menos ansiosa.
Esse estágio sublime é melhor que qualquer coisa que aconteça. E ele só acontece quando a poção da gratidão entra na veia sem vergonha de se expressar.
E quando eu não tenho vergonha eu sou eu dentro do meu conhecimento máximo.
Mas o que quero falar é claro, transparente e dá até pra beber.
Quero lhes dizer das coisas mais simples, sim aquele tipo de coisa simples que transcende.
E o que transcende é o motivo de estarmos aqui.
E é também o motivo de termos nos encontrado
A gente se achou numa época de muita expectativa.
Expectativas maravilhosas sobre a vida e sobre como ela deveria ser vivida, intensamente.
Quando nos reencontramos é como se eu reencontrasse também todas aquelas expectativas dentro de mim.
A gente muda eu sei, e estamos distantes também, é por isso que eu me esforço para que a comunicação seja clara, direta, cristalina, pura.
Eu amo vocês pelo que vocês são, não somente pelo que vocês me proporcionam.
Esses dias tive que fazer um exercício: eu tinha que me imaginar em um lugar onde pudesse pensar sobre a vida (me imaginei em algum lugar dos Andes), eu tinha que estar lá nesse lugar lendo um livro, grande e grosso.
Esse livro era o livro da minha vida.
Eu me emocionei com a imensa gratidão que sinto por tudo que já me aconteceu até aqui.
Dessa gratidão vocês têm parte.
Hoje estou paranoiando nas minhas ideias sobre o mundo, e aprendendo como ser uma aprendiz menos ansiosa.
Esse estágio sublime é melhor que qualquer coisa que aconteça. E ele só acontece quando a poção da gratidão entra na veia sem vergonha de se expressar.
E quando eu não tenho vergonha eu sou eu dentro do meu conhecimento máximo.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
O Rolo
Eu tenho pensado muito sobre assuntos muito profundos. estou ostrando cada vez mais e nunca estive tão confusa e empolgada para produzir algo.
Por isso a vida parece ter ganhado um sentido maior, e por mais que esteja densa está também bastante interessante. Muito mais detalhes estão sendo percebidos.
E no meio disso eu estou tentando usar menos sacolas plásticas.
Desde quando eu comecei a reparar nas sacolas plásticas (três meses atrás) eu devo ter deixado de usar pelo menos umas duzentas.
É incrível como problemas tão banais e que parecem ter soluções técnicas (como ao invés de sacolas plásticas, o uso de sacolas retornáveis e/ou biodegradáveis) exigem na verdade mudanças de valores, condutas, postura, julgamento ...algo assim.
a história foi a seguinte, eu parei um dia para comprar um remédio em uma farmácia, o remédio cabia na minha mão e quando o farmacêutico foi me entregar ele foi colocando o remédio numa sacola e eu disse "não precisa da sacola moço, cabe na minha bolsa" pela cara que ele fez me pareceu que essa atitude de não querer sacola é algo raro entre a clientela dele.
Pois bem, outro dia voltei na mesma farmácia pra comprar papel higiênico. Eu estacionei o carro bem em frente à farmácia (e não foi de propósito) e sai bem rápido pra comprar o papel. De novo ele queria colocar o que estava vendendo dentro da sacola e eu disse que não precisava. Aí sim ele soltou "mas moça você vai sair por aí andando com o papel higiÊnico na mão??" e eu falei "mas meu carro tá logo ali não tem problema" ; depois eu fiquei pensando que eu dei uma resposta bem ruinzinha na verdade. Eu devia ter falado que eu não tenho problema nenhum em andar com um papel higiênico na mão, e pensando bem não tenho mesmo.
Álias, eu quero ver alguém me dar uma boa resposta pra isso: Qual é o problema de andar na rua com um papel higiênico na mão??
Não existe um problema técnico, existe um problema de valores. A gente não pode expor nossa intimidade para os outros, como diria os outros "ninguém é obrigado a saber e imaginar que você está precisando de papel higiênico". E eu digo: mas quem é que não precisa de papel higiênico?? e falo mais: todos nós precisamos de papel higiênico e o mundo precisa de menos sacolas plásticas.
Será que todas essas sacolinhas fazem parte de um status? Quanto mais você tem, mais você compra, e quanto mais você compra mais sacolas você acumula. Por isso deve ser legal ter sacolas. e ninguém fica sabendo o que você comprou...eles sabem do mais importante: qual é a marca você comprou.
patético.
Hoje eu comprei uma revista. A mulher também quis colocar a revista em uma sacola. Uma revista em uma sacola.
Uma revista em uma sacola.
sei lá pra mim soou como um cúmulo.
Que necessidades mais banais são essas que a gente nem sabe mais que tem?
é por isso que eu acredito que para realmente acontecer alguma mudança profunda no mundo (e extremamente necessária em vista dos acontecimentos) mais do que novas regras, as pessoas terão de abrir mão de antigos valores...mais do que a solução da sacola retornável, as pessoas tem que deixar de sentir vergonha ao andar com um papel higiênico na mão.
Por isso a vida parece ter ganhado um sentido maior, e por mais que esteja densa está também bastante interessante. Muito mais detalhes estão sendo percebidos.
E no meio disso eu estou tentando usar menos sacolas plásticas.
Desde quando eu comecei a reparar nas sacolas plásticas (três meses atrás) eu devo ter deixado de usar pelo menos umas duzentas.
É incrível como problemas tão banais e que parecem ter soluções técnicas (como ao invés de sacolas plásticas, o uso de sacolas retornáveis e/ou biodegradáveis) exigem na verdade mudanças de valores, condutas, postura, julgamento ...algo assim.
a história foi a seguinte, eu parei um dia para comprar um remédio em uma farmácia, o remédio cabia na minha mão e quando o farmacêutico foi me entregar ele foi colocando o remédio numa sacola e eu disse "não precisa da sacola moço, cabe na minha bolsa" pela cara que ele fez me pareceu que essa atitude de não querer sacola é algo raro entre a clientela dele.
Pois bem, outro dia voltei na mesma farmácia pra comprar papel higiênico. Eu estacionei o carro bem em frente à farmácia (e não foi de propósito) e sai bem rápido pra comprar o papel. De novo ele queria colocar o que estava vendendo dentro da sacola e eu disse que não precisava. Aí sim ele soltou "mas moça você vai sair por aí andando com o papel higiÊnico na mão??" e eu falei "mas meu carro tá logo ali não tem problema" ; depois eu fiquei pensando que eu dei uma resposta bem ruinzinha na verdade. Eu devia ter falado que eu não tenho problema nenhum em andar com um papel higiênico na mão, e pensando bem não tenho mesmo.
Álias, eu quero ver alguém me dar uma boa resposta pra isso: Qual é o problema de andar na rua com um papel higiênico na mão??
Não existe um problema técnico, existe um problema de valores. A gente não pode expor nossa intimidade para os outros, como diria os outros "ninguém é obrigado a saber e imaginar que você está precisando de papel higiênico". E eu digo: mas quem é que não precisa de papel higiênico?? e falo mais: todos nós precisamos de papel higiênico e o mundo precisa de menos sacolas plásticas.
Será que todas essas sacolinhas fazem parte de um status? Quanto mais você tem, mais você compra, e quanto mais você compra mais sacolas você acumula. Por isso deve ser legal ter sacolas. e ninguém fica sabendo o que você comprou...eles sabem do mais importante: qual é a marca você comprou.
patético.
Hoje eu comprei uma revista. A mulher também quis colocar a revista em uma sacola. Uma revista em uma sacola.
Uma revista em uma sacola.
sei lá pra mim soou como um cúmulo.
Que necessidades mais banais são essas que a gente nem sabe mais que tem?
é por isso que eu acredito que para realmente acontecer alguma mudança profunda no mundo (e extremamente necessária em vista dos acontecimentos) mais do que novas regras, as pessoas terão de abrir mão de antigos valores...mais do que a solução da sacola retornável, as pessoas tem que deixar de sentir vergonha ao andar com um papel higiênico na mão.
terça-feira, 6 de abril de 2010
a premissa da pressa
é educado, e todos esperam que você parta do príncipio, que o resto do mundo está com pressa.
você estranho não pode nunca entrar no caminho do outro, você não pode atrasar ninguém que esteja dando uma volta na praça com o cachorro ou indo pra fila do pão no domingo.
por que todos são importantes,claro, e todos têm pressa.
você estranho não pode nunca entrar no caminho do outro, você não pode atrasar ninguém que esteja dando uma volta na praça com o cachorro ou indo pra fila do pão no domingo.
por que todos são importantes,claro, e todos têm pressa.
segunda-feira, 8 de março de 2010
Nossa às vezes meu amigo é uma tristeza doida, orgânica, incontrolável, sem jeito- só escapa quem arranja um jeito de chorar. só resolve com uma noite bem mal dormida e um dia posterior de ressaca. uma tristeza que só se deixa diluir quando nada mais fizer sentido. por que o sentido das coisas tá na saudade e saudade eu não quero mais. e o amor dá medo mas a gente mesmo assim fica querendo.
a quietude da tristeza...ficar quieta não é só pra exercer o capricornianismo nem o profissionalismo não, ficar quieta é sentir.
... deixa eu aqui chorando até eu começar a escrever deixa... por que não chorar é que sufoca. e eu com vergonha só consigo fazer isso sozinha. chorar assim é se vulnerabilizar, e que bonito é quem não tem vergonha de chorar na frente de outros.
eu não quero entrar no assunto ai-que-dó-que-dá-de-mim mas evitar o o-que-foi-que-aconteceu-com-a-gente hoje tá difícil. pra diluir esses hormônicos têpêeminêuticos eu penso: quer saber? o estranho mesmo é ser normal.
e vamos lá dona Maria, vamos lá que tamo junto nessas.
a quietude da tristeza...ficar quieta não é só pra exercer o capricornianismo nem o profissionalismo não, ficar quieta é sentir.
... deixa eu aqui chorando até eu começar a escrever deixa... por que não chorar é que sufoca. e eu com vergonha só consigo fazer isso sozinha. chorar assim é se vulnerabilizar, e que bonito é quem não tem vergonha de chorar na frente de outros.
eu não quero entrar no assunto ai-que-dó-que-dá-de-mim mas evitar o o-que-foi-que-aconteceu-com-a-gente hoje tá difícil. pra diluir esses hormônicos têpêeminêuticos eu penso: quer saber? o estranho mesmo é ser normal.
e vamos lá dona Maria, vamos lá que tamo junto nessas.
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